Postando Textos

É melhor ser feliz

21/11/2014
iris

Quantas vezes já vesti alguma coisa, na vida ou no blog, e já ouvi: “Carol, não achei bonito/ Não ornou/ Ficou feio/ etc? Inúmeras. E antes que vocês pensem que isso pode abalar minha vontade de vestir coisas “estranhas”, eu adianto que não. Sempre gostei do ritual de criar um texto mais interessante para a minha roupa, um discurso que dissesse algo mais consistente do que apenas um “nossa, que bonita”. É claro que a moda está aí para elevar nossa autoestima, fazer a gente se sentir bem com o que vê no espelho, mas é preciso deixar claro que beleza e autoestima podem até caminhar juntas, mas a autoestima é um processo de autoaceitação/autoadmiração que ultrapassa a necessidade de estar/ser, de fato, bonita e, portanto, essas duas variáveis podem andar muito bem separadas. E aí o que acontece é que muitas mulheres têm usado a moda como um catalisador de autoestima, mas de um jeito ruim. E isso se tornou uma espécie de maldição: ou você está amaldiçoada pela moda, ou amaldiçoa outras mulheres por causa dela. O que isto significa na prática? Que deixamos de saber nos divertir com o que a moda tem de melhor. Deixamos de saber ousar, testar, arriscar, com medo de cara feia. Mas, como diria minha sábia avó: cara feia é fome.

Andamos por aí com dedos em riste dizendo o que pode ou não ser vestido. Que proporções devem ser respeitadas, que cores são ideais, que tipos de roupas servem para essa ou aquela, como se a moda fosse uma espécie de serviço militar (é guerra, gata!) cuja única missão é a de alcançar o aval da maioria e escutar um unânime “você está linda!”. É bom ouvir isso? Claro que sim, mas eu sinto um prazer muito mais visceral quando escuto: “Porra, que look criativo! Que interessante! Que diferente!”, porque isso significa que eu traduzi um pedacinho da minha personalidade. Visito dezenas de blogs de moda, sigo e acompanho o estilo de diversas garotas e não deixo de me surpreender com a pasteurização e repetição dos looks do dia. É claro que não é ilegítimo buscar a beleza (acho legítimo demais e busco também), mas às vezes me questiono se essa beleza “que todo mundo tem” traduz a essência das pessoas ou se apenas nos tornamos vitrines passivas do que vemos nas lojas, nos blogs, nas revistas. Ou se todo mundo tem a mesma essência. Ou se andamos com problemas generalizados de autoestima feminina. Ou se eu deveria parar de questionar essas coisas…

Um caso a se pensar.

iris-apfel-

Então me deparei, dia desses, com uma entrevista com a designer de interiores e ícone fashion americana Iris Apfel. A moça de 93 anos é famosa pelo seu estilo über poluído, ultra acessorizado, maxi exagerado. Iris, como tantas outras pessoas que usam a moda para se divertir, acredita que o processo de autoconhecimento é o primeiro passo para qualquer mulher encontrar seu estilo e, pasmem, aplicá-lo independente do que os outros vão pensar dela. E, apesar de ser uma mulher excêntrica e independente, acreditem, Iris foi feliz no amor, vejam só. E aqui eu entendo que a moda pode ser uma ferramenta de liberdade de discurso feminino e deve ser uma espécie de poder através do qual mostramos o quanto somos bonitas, mas acima de tudo, interessantes, cada uma à sua maneira, sem dedos em riste.

Durante a entrevista, Iris comenta que existe uma disparidade entre o que somos e o que enxergamos no espelho. Segundo ela, essa incapacidade de ver nosso verdadeiro eu é uma grande falha de quem usa a moda para “seguir padrões”, porque isso nos tira a capacidade de decidir o que realmente nos faz bem, em detrimento daquilo que os outros vão aprovar. O processo de “enfrentar” o olhar alheio pode ser doloroso, mas esse caminho em direção à própria essência é recompensador e se a moda for um fio condutor dessa descoberta, então oba!, enfrentaremos esse olhar inquisidor com a plenitude de saber quem somos.  No final das contas, como diz a própria Iris:

“É melhor ser feliz do que bem vestida.”

Beijos, Carols

Compras

Green Goblin

19/11/2014
verdes2

Taí, mudar de casa é trabalhoso, mas tem lá seu charme redescobrir nossas próprias coisas quando finalmente conseguimos tirá-las das caixas. Há quase um mês comprei um guarda-roupa, mas até hoje ele não chegou. Isto significa duas coisas: 1) eu estou há um mês vivendo em caixas de papelão (daí o blog estar tão paradinho em termos de looks), 2) fui obrigada a improvisar um guarda-roupa porque não aguentava mais catar roupas dentro de caixas. Então o armário de improviso foi composto por alguma prateleiras que serviriam de estoque da Prosa. PAM.

Nesse processo de desencaixotar minhas roupas e sapatos, percebi uma coisa: eu sou a nêga dos sapatos pretos! Que coisa sem graça! Nunca tinha parado para perceber que 90% dos meus calçados são pretos, 5% são caramelo e os outros 5 são as demais cores (sendo esses 5% apenas uma gama de 4 tonalidades hahaha). Logo eu que sempre admirei looks com sapatos diferentes, ousados etc, logo eu que acredito que um incrível par de sapatos pode transformar uma produção, logo eu….tenho essa mania de comprar sapatos sempre da mesma cor. O máximo que eu vario é entre sapatos prateados, dourados ou com glitter dessas duas cores. Tô cafona.

Além desse fenômeno cromático, observei que minha quantidade de saltos altos bafônicos diminuiu. Claro que o joelho operado tem culpa nessa história, claro que a vida de pedestre no Rio de Janeiro tem mais culpa ainda, mas cadê meus tesouros??? Cadê meus pisantes maravilhosos? Cadê aquela vontade de colocar um sapato como objeto de decoração do quarto???? Cadê aquele sapato que faz o design valer cada centavo???Tudo isso sumiu em bazares e doações ao longo dos anos e agora minha vida de centopéia fashion está restrita a uma porção de sapatos velhos pretos.

Não vou nem comentar o resto do guarda-roupa, porque isso é história para outro capítulo. Vou apenas me ater ao fato de que meus sapatos não fazem jus ao meu amor pela moda e que, por isso, a partir de hoje, vou começar a investir em calçados coloridos/ousados/muitcho lokos, começando por esse belo par de scarpins verdes metalizados, que fazem até o Green Goblin chorar feito criança.

verdes1

Scarpin Shoe Shop, R$ 149

Lembro que quando eu morava em Recife, apesar de comprar roupa baratíssima, eu comprava sapatos bem caros na Santa Lolla. Era um luxo que eu me dava o prazer de usufruir porque, como andava sempre de carro, podia aproveitar a maravilhosidade de um salto alto. Hoje em dia gasto mais dinheiro em tênis, do que em sapatos lindos e sequer saberia onde ir com tantas belezas desconfortáveis nos pés, mas confesso que sinto saudades de poder aproveitar um glamourzinho de vez em quando. Só Adidas às vezes cansa!

sapatos-coloridosQuero/preciso/necessito de sapatos coloridos. Todos os modelos: asos.com

Aqui no Rio eu ando tanto a pé e de transporte público que o conforto virou a palavra-chave da minha vida e eu acabei me acostumando a não sofrer mais em cima de um salto alto. Além disso hoje em dia tenho pena de gastar R$ 300 num bom sapato, porque sempre penso que com esse dinheiro eu aproveito muita zuêra por aí. hehehehe E aí o que acontece? Eu tô cheia de sapato velho, preto e lascado.

Muita caipiroska, zero glamour! :P

Beijos, Carols