Loja Prosa, Looks

Uma Frida moderna

27/03/2015
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Hello pra quem passou o dia ansiosa como eu! Hoje foi dia de receber algumas peças novas na Loja Prosa (minha marca de roupas, pra quem não sabe) e, gente, que emoção! Como já falei aqui no blog, todo o nosso processo é artesanal e super demorado, então é uma euforia danada quando começam as chegar as coisas que planejamos há tanto tempo. A mamis é quem faz a modelagem de todas as peças e eitchaaaaaa processo trabalhoso! Uma mísera camisetinha passa por, pelo menos, 3 ajustes de moldes (de um único tamanho, fora os outros!), algumas pilotagens e provas de acabamento. Ou seja, esta t-shirt do look de hoje rendeu DIAS E DIAS  de trabalho. A saia de pregas calculadas ao milímetro para serem simetricamente iguais, é uma outra ciência que eu prefiro nem comentar. Bizarro né?

Antes de montar minha marca eu jamais imaginaria a quantidade de refações, ajustes, desmanches, que uma peça pode sofrer, principalmente quando fazemos costura plana, que corresponde a todos esses tecidos como a viscose, algodão, linho, etc, que não contém elastano na composição. Modelar tecido plano é mais trabalhoso, porque para o caimento da peça ser perfeito, o molde tem que ser igualmente impecável e quem vai costurar precisa ser expert nesse tipo de costura. Coisa cada vez mais rara de se encontrar!

Então foi isso que aconteceu hoje: chegaram peças novas e eu tratei de montar um look por que sou dessas, que não aguenta esperar! >.<

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Achei o look com uma ~vibe~ de Frida pós-moderna. hahahaha Não sei se foram as flores vermelhas da blusinha, mas tive essa sensação de estar vestindo um México-revisitado, com direito a uma clássica saia listrada, contrapondo o visual mais artesanal das demais peças do look: espadrilhe de palha, bolsa de vime, colar de “ossinhos”. Uma mistura interessante, né?

A quem interessar: as novas peças da Prosa estarão disponíveis no nosso e-commerce a partir de terça-feira, 31/03! #ansiosa

Camiseta e Saia: Loja Prosa, em breve no ar! | Espadrilhe: Shoeshop, R$ 139 | Bolsa: de brechó, R$ 12 | Óculos: Loucos por Óculos, R$ 55 | Colar: Karamello, R$ 89 | Batom: Mac, Russian Red

Beijos, Carols

 

Postando Textos

MODA: WHY SO BORING?

26/03/2015
moda boring

#eikepreguiça

Lembram de um post que escrevi há uns tempos aqui no blog, sobre o efeito nuvem? Esse aqui. Resumidamente, no post eu falei sobre como as pessoas são impactadas pelas mesmas mensagens/movimentos/pensamentos, etc e como isso se reflete não só nos nossos desejos de moda, como em várias outras esferas da nossa vida. Então me surpreendi ao entrar ontem no blog da Dani e ler este post aqui: Abusei da moda! Nele Dani diz que perdeu aquela vontade louca de ir ao shopping ver as novidades de todas as lojas e que percebeu que a moda não tem trazido nada de novo e isso a deixou desestimulada. Curioso é que esse sentimento de “cansaço” já tomou conta de mim há meses e eu entrei numa crise bem parecida. Eu e Dani encontramos esse sentimento de enfado na enorme nuvem que paira sobre as nossas cabeças: a banalização da moda. (E com isto não quero dizer que a moda não deva ser acessível, ok????)

Eu estou nessa crise há meses e nesse tempo todo pude refletir muito sobre o assunto. Será que estou sendo crítica demais? Será que a moda virou mesmo um grande círculo infinito? Será que está tudo sempre igual? Será que não dá pra gente se reinventar e fugir um pouquinho dessa curva? Qual será o meu papel como blogueira? Qual a relevância da moda que eu apresento? Diante de tantas questões que poderiam minar meu próprio conteúdo, tive vontade de abandonar o blog, de parar de montar looks no automático, de viver sem “mostração”. Mas escrever é, na verdade, o que eu mais gosto de fazer no blog, então mantive o coitado. É bem verdade que há tempos vinha sofrendo de um certo desgosto pela moda e ao tentar compreender o porquê dessa insatisfação, me deparei com uma verdade muito pessoal: eu não estava olhando para a MODA, eu estava olhando para blogs de consumo. Porque não é da moda que eu estou cansada, é do universo de quem  consome/reproduz receitas mastigadas. (daí eu ter pensado em acabar com o meu, por que talvez ele não tivesse relevância/informação de estilo suficientemente interessante).

Vou explicar: sigo vários blogs, muitos perfis no instagram e exceto 2 ou 3 pessoas que trazem algum conteúdo diferente, o que eu vejo em todos os outros é mais do mesmo. Não são meninas que exploram suas capacidades criativas, trazendo para a realidade um look de passarela (sem pagar pelo look de passarela, óbvio kkkkk), ou mostrando como criar um visual mais interessante pro trabalho, ou ainda valorizando suas curvas e contradizendo as regrinhas do manequim 36. São meninas que transformaram seus perfis em vitrines de loja, em cabides de marcas, em reproduções de lookbook. E é super legítimo anunciar marcas, ganhar dinheiro com isso porque afinal é o trabalho das blogueiras, mas precisa ser tudo tão parecido? A moda não oferece visões diferentes o suficiente? Oferece! Mas essas visões estão pulsando fora do circuito e muitas vezes a gente não enxerga/não curte/não consome/não procura/não vê (até porquê, ninguém é obrigado…kkkk).

Não sei vocês, mas eu fico angustiada de visitar dezenas de perfis e não ver nada que me traga um olhar diferente sobre a moda, sobre usabilidade, sobre irreverência, sobre sair do lugar comum e talvez seja essa a aflição de Dani. (daí que eu parei de visitar blogs de moda e foquei em visitar portais sobre o assunto) Não foi a moda que ficou cansativa e repetitiva, foram as lojas, as marcas, as pessoas que estão sempre reproduzindo as mesmas imagens, se tornaram cada vez mais iguais. Um sem fim de obviedades que nunca me surpreendem e sobre as quais eu sempre bocejo: “putz, de novo isso?” Por que, gente, dá pra usar as mesmas tendências de todo mundo e ainda assim ficar diferente. É só pensar fora da caixinha-capa-de-revista-capricho e fazer o exercício de sair do lugar comum. “Ah, Carol! Deixa de ser chata! Ninguém é obrigada a sair do lugar comum se não quiser!” Verdade. Mas também é verdade que é preciso saber diferenciar o que é gostar de moda, do que é gostar de roupa. E quem só gosta de roupa tende a consumir e reproduzir fórmulas mais fáceis, sem se dar o prazer do erro.

inspiracao osklen copy

Incomodar no sentido de sair da nossa zona de COMODISMO, ok? Não no sentido de agredir. ;)

Pensem comigo: calças, blusas, casacos, vestidos…todas essas peças já foram inventadas há séculos. O trabalho de um estilista é reinventar em cima de formas já consolidadas. É inovar a partir de um formato enrijecido pela usabilidade. E se as grandes marcas conseguem fazer verdadeiras revoluções estéticas (vide McQueen!) em cima de modelos já estabelecidos, então nossa capacidade como consumidoras pode ser igualmente revolucionária, basta mudarmos nosso olhar. Com isto eu não quero dizer que todo mundo tem que sair por aí vestida de inseto. Apenas que, como ~formadoras de opinião fashion~, eu entendo que deveria ser essa a premissa de qualquer blog cujo assunto seja moda: trazer uma forma diferente de usar as mesmas coisas, seja qual for o propósito/ocasião. Porque vestir um conjunto de vitrine não é exatamente uma visão inovadora, é uma fórmula enfadonha que faz a gente ter a certeza de que a moda estagnou e que o mundo só nos apresenta as mesmas coisas, o que não é verdade. E, meu deus, como a gente precisa reciclar o olhar!

Desafio qualquer pessoa a entrar no style.com e ver todos os desfiles das últimas semanas de moda. Das marcas mais ~badaladas~ às menos conhecidas. Até pra quem nem gosta tanto de moda assim é um deslumbre. É uma descarga elétrica nos nossos sentidos. É a confirmação de que a criatividade humana é um dom sobrenatural. É a certeza de que a nossa missão no mundo deveria ser essa: criar! porque somos tão geniais nisso. Desafio a assistirem este vídeo aqui e entenderem o porquê de ser impossível a gente perder o tesão na moda. Nessa moda, claro. (porque moda de fast-fashion com escravos do Camboja não dá tesão em ninguém, que fique claro)

Assisti esse vídeo inúmeras vezes, como uma terapia mesmo, e foi assim eu voltei a amar este universo. Não como um “objeto” de consumo, mas como um trabalho artístico que deve ser reverenciado e contemplado com muita admiração. Às vezes a gente precisa entrar numa crise dessas para questionar e rever nossas escolhas, trilhar novos caminhos. Eu, por exemplo, usei minha crise para direcionar meu olhar de forma diferente, buscando criar looks mais arrojados, que explorem mais a criatividade do que a beleza em si, por que entendi que este é um caminho que ME agrada. E nessa crise eu descobri que a moda de verdade é como a arte: não precisa ser bonita, não precisa ser perfeita. Precisa causar algum tipo de sentimento seja de admiração, seja de estranheza, seja de ojeriza (e com isto eu não quero dizer que a gente tem que se vestir pra “causar” ou pra receber elogios), mas principalmente tem que ser um elemento de surpresa. Acho que é isso que falta nas araras da vida: menos padrão, mais emoção.

Ps: 1) É claro que o estilo de cada pessoa conta na hora de escolher roupas, mas até dentro do estilo mais simples (vide Jules Sariñana!, é possível sair do óbvio. 2) É claro também que uma pessoa que vai trabalhar no escritório usando terno, ou num campo de obras, ou em profissões menos flexíveis não tem a liberdade poética para inventar no look do dia, mas o texto é especificamente sobre o que as marcas e pessoas absorvem, repetem e reproduzem dos formatos deste universo. :)

Beijos, Carols